Tradições e Curiosidades
O Farol de Esposende, Erguido à margem direita da foz do rio vizinho ao Forte de São João Baptista, foi inaugurado em 1866. É um dos raros faróis com torre metálica existentes no país. A sua altura é de 15 metros e tem um alcance de 24 milhas náuticas. A sua excepcional localização continua ainda hoje, como no passado, a ser sinónimo de magnificas panorâmicas
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Ao longo de gerações a sabedoria popular “baptizou” os mais relevantes penedos existentes nas praias de Marinhas. Alguns só se avistam com a baixa-mar outros estão sempre imersos. |
Partindo do sul para o norte temos: |
“Esteiro” – Localizado em frente à Avenida dos Banhos; |
“Redonda” – Situada no enfiamento do rego com o mesmo nome; |
“Rebina”; |
“Entre Regos”; |
“Mixelheira”; |
“Pardinheiro” – Situa-se mesmo em frente ao passadiço da Travessa da Praia; |
“Barranheiras” – Local de fixação de sapateiras, ainda hoje um dos melhores locais para captura de navalheiras e polvos; |
“Pedra do Salto” – É a mais conhecida de todas! Localiza-se mesmo em frente à Praia de Cepães sendo constituída por cinco penedos, separados por canais, que estão ao alcance de um salto uns dos outros: (Salto, Salto Norte, Salto de Baixo, Salto do Meio e Cavalinho); |
“Rasteiras do Salto” – Conhecidas por serem, usualmente, um bom local para a apanha de navalheiras; |
“Carda Pequena”; |
“Carda Grande” – Encontra-se no enfiamento da Rua à qual deu o nome; |
“Pedra do Homem” – Situa-se em frente à Carda Grande mas mais para nascente, também deu o seu nome a uma artéria do lugar de Cepães; |
“Carda Seixa”; |
“Rasteiras da Carda” – Local privilegiado para captura de polvos e navalheiras. Saliente-se que quando há muitos polvos existem poucas navalheiras! Estes são, sem dúvida, pescadores mais eficazes que a mão do homem; |
“Carda Norte” – No mesmo alinhamento, mas um pouco mais a nascente, existem diversas rasteiras (pedras constantemente submersas), locais privilegiados de concentração de navalheiras e, por vezes, de santolas; |
“Pedra das Caranguejas” – No passado era frequente encontrar, aqui, sapateiras e santolas; |
“Pedra das Retombas” – Assim designada por no local, no passado, existir em abundância esta espécie de peixe; |
“Leirinha do Damião”; |
“Robaleira” – Localizada em frente ao Rego da «Flauza», deu o seu nome a uma artéria situada no aldeamento que se encontra à sua frente, |
“Pedra do Carvalho”; |
“Cabeço”; |
“Pedra do Barão” – Também conhecida por «Pedra do Caçoula»; |
“Postinha” – Situada ligeiramente a norte do «Pinhal do Cigano»; |
“Greta” – A poente tem a “Redonda da Greta”, não confundir com a outra pedra da “Redonda”» e à sua frente para poente tem “rasteiras”; |
“Pedra do Mateiro” – Situa-se em frente à Praia de Rio de Moinhos, |
“Pedra Alta” – Esta está sempre imersa; |
“Genienes”; |
e a última antes do limite da freguesia a “Forcarda Norte”. |
No Passado os pescadores artesanais de Marinhas usavam “jangadas” para se deslocarem para as pedras mais fundas, os mais velhos utilizavam “bóias”, isto é câmaras de ar dos pneus dos camiões, atualmente os mais novos utilizam fatos de mergulho e/ou fatos de surfista. |
Informação recolhida junto de Salvador Calheiros.. |
Teotónio da Fonseca 1936
Em 1936, Teotonio da Fonseca, no livro “Espozende” e o Seu Concelho, descrevia assim a Praia de Suave Mar: “Espozende não tem praia de banhos própria; serve-se da praia sita nas Marinhas. Que bela praia! O mar, o suave mar, espreguiça-se indolentemente por uma grande planície de areia miudinha que forma um pavimento duro, dando vontade de ao som das brisas e do marulhar das suas ondas dançar… um tango. Separa e abriga esta praia das terras cultivadas uma longa fila de dunas de areia que se estende desde a foz do Neiva até ao Cavado.
Na foz deste, ainda dentro dos limites desta freguezia, vê-se o molhe e restos de paredão que se fizeram para o encanamento deste rio. Na margem direita, perto daquelas obras negreja o forte de S. João Batista de Espozende, construído em 1704, cujos alicerces tinham sido abertos em 1699”.
A propósito sabia que: O desmantelamento do forte ficou a dever-se às obras de encanamento do rio Cávado com projecto do Engenheiro Custódio José Gomes de Vilas Boas de 1795. Toda a muralha norte igual à do sul como a muralha nascente até à porta de acesso e poente em igual extensão, foram demolidas e aproveitado todo o granito obtido para a construção do molhe ainda hoje existente na barra de Esposende.
Há mais de 60 anos os barcos, semelhantes à catraia Santa Maria dos Anjos, medindo 7m de comprimento, saíam da praia de Cepães e deslocavam-se até ao mar de Viana, Afife e Vila Praia de Âncora para largar as redes ao “pilado”, também conhecido noutras localidades como “patêlo”.
Na época, chegaram a existir quatro destas embarcações em Cepães, pertencentes: “Garrilhas”, “Cotovio” de Pinhote e “Santo André” de Cepães, Ribeiro de Outeiro e “Russos” de Cepães, que realizavam campanhas em sociedade com outros para apanharem grandes quantidades desta espécie de caranguejo, considerado o melhor fertilizante para os solos. No entanto, segundo nos contou Miguel Gonçalves Couto – falecido com 85 anos de idade – que começou a participar nestas campanhas aos 22 anos, quando regressavam da faina não faltavam populares que de cesto na mão pediam uma porção para saciar a fome.
Desta actividade restam chumbos, guardados na sede de Junta, usados nas redes do “Pilado” e conhece-se a existência de, pelo menos, uma bússola usada nesta arte, na posse de um popular, residente na freguesia.

Apanha de polvos
No Passado os pescadores artesanais de Marinhas usavam “jangadas de cortiça” para se deslocarem para as pedras mais fundas, atualmente utilizam-se fatos de mergulho, num passado recente os mais velhos utilizavam «boias», isto é câmaras de ar dos pneus dos camiões.
Na foto Manuel Calheiros equipado para apanhar polvos. A sua “jangada”, pertence agora a um filho.
Pela sua orografia, com um riacho a descer pelas faldas da Abelheira, e aquela lomba exposta ao norte, povoado de azenhas e moinhos de vento, o lugar da Abelheira deu a Marinhas um cartaz turístico de alcance internacional.
A Abelheira tornou-se, naturalmente, alfobre de moleiros, que, de geração em geração, se tornaram hábeis em aproveitar, no Inverno a abundância e a força da água conduzida em calhas de pedra para as suas azenhas, e no verão a força das nortadas a tocar os seus moinhos de vento. Sobretudo estes, os moinhos de vento, no aglomerado deles que se criou na encosta da Abelheira, com suas asas brancas a adejar como gaivotas, e suas mós a cantarolar, triturando nas pedras da calçada, as roupas e os cabelos enfarinhados dos moleiros e das moleiras, tudo isso deu àquele lugar de Marinhas uma tipicidade e um carácter ímpares.
É certo que também noutros lugares houve moinhos. Lembro-me deles no alto de Pinhote, e na orla costeira abaixo de Rio de Moinhos. Ainda hoje existe o moinho do Estado, que tem dois vizinhos arruinados lá perto, perdidos e solitários no meio dos campos. Reprodução parcial de um artigo, publicado no «Jornal Voz de Marinhas», n.º 5, de Dezembro de 1994, da autoria de C. Monteiro.
O abandono deste sistema de moagem deveu-se ao facto de se terem descoberto métodos mais avançados de moer o grão. Classificados como imóveis de interesse concelhio, desde 1976, alguns moinhos da Abelheira já pertencem à Câmara Municipal que os recuperou, para fins pedagógicos, podendo associar-se a sua musealização à dinamização de actividades de cariz turístico e ambiental.
Em 1886, José Augusto Vieira, no livro “O Minho Pitoresco”, descrevia assim Marinhas e as suas gentes: “Um nome que define uma povoação MARINHAS. Nada mais artístico, porque também nada é mais natural. A casaria claria, os campos estendidos em taboleiros planos, um ou outro moinho de vento abrindo sobre as medas as grandes azas trémulas á viração do Mar. Grupos de raparigas apanhando o sargaço, além, nos recantos sinuosos da praia. A nossa gravura representa uma d’ellas, armada da competente graveta, um pente com que desfiam os rolos de algas que flutuam na vaga. Dir-se-hia que eram cabelleireiras das ondinas, a admittir-se a creação destas individualidades poéticas, e se a gente não soubesse que são elas as mocetonas rosadas e sadias que se encontram no dia 15 de Agosto na concorridissima romaria da Senhora da Saúde, no próximo lugar de Outeiro, para dançarem no vasto e formoso largo, e deitarem abaixo toda a sua sciencia poética nos descantes com os conversados”.
Sabia que na reconstrução da torre da Igreja deu-se um episódio curioso, considerando então provi-dencial: Havendo dificuldade em obter pedra apropriada para os seus pilares, numa noite um enorme penedo desprendeu-se do monte por si mesmo, vindo parar cá em baixo, mesmo a jeito de ser partido e aproveitado para fornecer os blocos de pedra necessários para continuar e concluir as obras.
No lugar da Abelheira, meeiro com Vila Chã, sentimos a sensação de entrar num museu vivo das tecnologias tradicionais: velhos moinhos de vento e azenhas, actualmente fora de uso, de construção centenária, anterior a 1758, são o que resta de uma das maiores indústrias da freguesia e do concelho, a moagem do milho.

Nas imediações dos vestígios do que seria um antigo porto de mar existe, ainda hoje, uma estrutura feita pela mão do homem para recolha de sal. Trata-se de uma espécie de salina que aproveita os movimentos das marés. Numa rocha que, noutros tempos, estaria quase sempre imersa foi efetuada uma cavidade que reteria a água das maiores marés. Assim, após a Acão da energia solar, era recolhida uma considerável porção de sal.
Sabe-se que a costa atlântica da Península Ibérica é, desde longa data, conhecida pela produção de ótimo sal. Já há cerca de 2.000 anos, os romanos produziam sal do mar a nível quase industrial.
Autor da fotografia Ricardo Abreu.
Num passado ainda recente, a população, sobretudo do lugar de Cepães, dedicava-se à recolha de algas – Guita e Limo – para venda.
As ondas do mar depositavam no areal a “guita” que, depois de recolhida, era seca e vendida num armazém de recolha. A “guita” dava à costa em conjunto com o sargaço, sendo apenas necessário separa-la. No entanto, o “limo” necessitava de ser retirado das rochas e, por vezes, para lá chegar era preciso nadar até às pedras mais distantes: Redonda, Salto, Robaleira…. Depois de enchido o saco, que se tornava bastante pesado, era necessário nadar de volta até à praia!
Antigamente, os populares que se deslocavam em “jangadas” no mar, para apanharem polvos, navalheiras e recolherem as redes de pesca artesanal, deixavam as esposas nas rochas a arrancar o “limo”, enquanto se dedicavam à faina.
A foto retrata o que resta de uma salina móvel, que remonta a cerca de 2000 anos, encontrada nas praias da freguesia, perto do local onde se pensa terem existido as primitivas salinas que deram o nome Marinhas à freguesia.
As lousas de xisto eram escavadas de forma a formar uma pequena cavidade no seu interior. Posteriormente eram colocadas ao Sol, com uma pequena quantidade de água do mar que, depois de evaporada, se transformava numa pequena quantidade de sal.
No lugar da Abelheira, na vertente voltada a Poente, ao longo do curso do Ribeiro do Peralta ou espalhando-se pela encosta soalheira e ventosa da arriba fóssil existia um número considerável de azenhas.
Dispunham-se nas margens do ribeiro, do qual recebiam directamente a água em patamares ao longo da encosta, de modo a receber sucessivamente a água.
As azenhas da Abelheira eram de tipo copeiro ou de propulsão superior. A roda, de madeira, situava-se em nível inferior à queda da água que caía nos copos que guarneciam a periferia da roda. A razão da escolha de tal tipo de equipamento prendia-se com o pouco caudal que o Ribeiro do Peralta normalmente transportava, em especial na época estival.
Assim, a água que fazia mover uma azenha, acabava por servir para todas aquelas que se encontrassem no caminho, antes de voltar ao leito do ribeiro ou ser aproveitada para outros fins.

A extracção de pedra já foi uma das principais actividades da freguesia. A escultura em granito marca a tradição dos canteiros (vulgarmente conhecidos na freguesia por«Lavristas»).
Pequena história da Associação das Quatro Artes da Construção Civil de Marinhas – Esposende
A sua origem teve a ver com a crise de 1929 e o longo período de recessão económica que se lhe seguiu. O desemprego era generalizado, sendo muito más as condições de trabalho: horários muito longos («trabalho de sol a sol»), ordenados baixíssimos, falta de segurança, etc.. Em Esposende, existia a maior taxa de desemprego do distrito – 600 a 800 operários sem trabalho.
Tudo isto contribuiu para criar a necessidade da organização dos operários para defesa dos seus direitos. Alguns dos fundadores do sindicato, acabados de chegar de Espanha, do Brasil ou da Argentina, traziam consigo ideias novas que faziam contraste com o espírito submisso da maioria dos seus conterrâneos. Particularmente em Espanha, onde fora recentemente implantada a República, era muito activo e influente o sindicalismo de orientação socialista da UGT (Unión General de Trabajadores).
E foi assim que, no dia 21 de Junho de 1931 se reuniu, no lugar da Igreja em Marinhas, cerca de uma centena de operários (pedreiros, carpinteiros, caiadores e pintores) que fundaram a Associação de Classe das Quatro Artes da Construção Civil de Marinhas – Esposende. Foi Manuel Fernandes (de alcunha «O Nuna»), um operário que trabalhara no país vizinho, o seu primeiro presidente.
A sede provisória foi assaltada (por duas vezes), pela calada da noite, escassos dias depois, tendo sido em ambas as ocasiões roubados ou destruídos livros, material de escrita e mobiliário pertencentes à colectividade. O que diz bem do medo que certos empreiteiros tinham da organização dos trabalhadores…
Tendo Manuel Fernandes regressado a Espanha, tomou posse a 27 de Setembro nova direcção, encabeçada por dois outros marinhenses: Manuel Rodrigues e Manuel da Cruz Ferreira, presidente e vice-presidente, respectivamente. É importante referir que, apesar de ausente, Manuel Fernandes nunca deixou de enviar contribuições financeiras para o sindicato, recolhidas junto dos emigrantes e mesmo de camaradas espanhóis. Aprovados e publicados os estatutos no dia 10 de Outubro de 1931, teve lugar a 28 de Fevereiro do ano seguinte a eleição da última direcção, presidida pelo «lavrista» esposendense, Quintino Martins Ribeiro.
O 1º de Maio, dia do trabalhador, foi comemorado através de sessão solene na sede da Associação em Marinhas, a que assistiu grande multidão, tendo sido descerrada a nova bandeira (presume-se que a primeira tenha sido destruída num dos assaltos à sede). Nesse mesmo dia, houve conferências promovidas pelo sindicato, no Teatro Club Espozendense e no Club dos Grulhas, em Fão. Um dos oradores, propositadamente vindo do Porto, foi Alberto Alves Carneiro, dirigente sindical próximo do então Partido Socialista Português, que havia sido nomeado (pouco tempo atrás) representante dos trabalhadores portugueses na OIT, em Genebra.
A Associação mantinha uma presença activa nas páginas dos jornais locais, como «O Esposendense» e «O Cavado», onde lutava pelo cumprimento da jornada de oito horas (promulgada em 1919 por Augusto Dias da Silva, operário fundidor, o primeiro ministro socialista num governo português). Disso são exemplo os numerosos (e acutilantes) artigos assinados por Quintino Martins Ribeiro. Para dar uma maior informação ao povo, foi criado o bimensário «O Trabalho», de que saiu o primeiro número a 20 de Maio de 1932. Cada exemplar custava 2 tostões, tendo sido editados pelo menos mais 5 números.
A 5 de Setembro, um acontecimento inédito assombrou a pacatez dominical de Esposende: a vila foi invadida por uma multidão, computada em cerca de um milhão de operários, conduzida pela Associação de Marinhas. Recebidos pelo Presidente da Câmara, exigiram o prosseguimento das obras camarárias, única forma de minorar a crise de emprego. Daí seguiu uma delegação para Braga, acompanhada pelo Administrador do Concelho, onde teve contactos com o Governo-Civil e (através deste) com o Ministério das Finanças, em Lisboa.
São escassos os elementos disponíveis acerca da fase final do sindicato. O 1º de Maio de 1933 foi ainda comemorado, com sessão solene na sua sede. Sabe-se, também, que a certa altura os seus principais dirigentes foram levados para o Porto pela PVDE (antecessora da PIDE), tendo sido aparentemente libertados por intercessão do Presidente da Câmara, Padre Sá Pereira. As actividades da Associação prolongaram-se, pelo menos, até Dezembro de 1933, data que coincidiu com a entrada em vigor do salazarista Estatuto do Trabalho Nacional, que pôs fim às actividades dos sindicatos livres.
Artur Jorge Cardoso Ribeiro
Carlos Jorge Vicente Capitão
César José Cardoso Nogueira
Marco Paulo Gaifém Cardoso
(estudantes do 11.º ano, turma D)
