MARINHAS (S. MIGUEL)

Na história de Marinhas existe um pequeno “apagão”: Uma Lei, extinguiu temporariamente a freguesia, mas não acabou com Marinhas. Marinhas resistiu no coração dos MARINHENSES e agora esta bela terra, este lindo cantinho minhoto abençoado pela natureza, voltou a ser freguesia, continuando com a sua longínqua existência:

O nome Marinhas advém do facto de, pelo menos em épocas mediévicas, se ter explorado o sal. No entanto, a primeira documentação conhecida para esta freguesia não a menciona com esta designação, mas sim “Michahele de Cepanes” como adiante veremos.

Marinhas, não é muito rica em dados arqueológicos, mas possui alguns elementos que nos possibilitam recuar uns milénios na sua história. Para a pré-história podemo-nos referir ao asturiense pois possuímos três picos “tipo ancorense” encontrados no lugar de Cepães. Também, embora só reste o topónimo, podemos citar o lugar da Anta, junto ao cruzamento da estrada de Goios – Marinhas e Vila Chã – Esposende, e que, por volta dos anos 50 e quando se procedia ao arroteamento de uma leira, apareceram inúmeras lousas, organizadas tipo caixa, acompanhadas de muitos fragmentos de cerâmica. Estamos, sem sombra de dúvida, perante uma necrópole de época romana. Sobre aquele topónimo nada soubemos em concreto e não sabemos se será o mesmo citado por Franquelim Neiva Soares e que vem referido nos livros de registo paroquial. Do período pré-romano, embora partilhando a propriedade com a vizinha Vila Chã, temos o povoado de S. Lourenço que é bem o testemunho de que, nessa época, aqueles que agora habitam a planície marinhense e o planalto vilachanês ocupavam o monte que lhes era vizinho. Pouco a pouco o seu modus-vivendi foi alterado e vão procurar nas zonas mais baixas melhores condições de vida. Esta alteração vai-se dar de uma forma mais activa com a chegada dos romanos que introduzem novos métodos na agricultura e mesmo nos hábitos quotidianos daqueles que passam a designar-se por “povos romanizados”. Em vários pontos da freguesia, mais precisamente nos campos junto à Fonte da Telha, apareceram vestígios de época romana como tégulas e fragmentos de cerâmica. Informaram-nos que vestígios idênticos foram encontrados em Cepães e junto à igreja paroquial.

Do período medieval, além de possíveis salinas, temos alguns sarcófagos em granito e a cachorrada da capela lateral norte da igreja. Sobre este elemento arquitectónico os especialistas não chegam a acordo pois embora tenham feição romântica podem muito bem ser de uma construção do século XVI copiando elementos românticos.

Ferreira de Almeida localiza nesta freguesia uma salina medieval embora refira que está mal documentada. Diz aquele autor que “As salinas em Marinhas, em S. Bartolomeu e em Belinho, estão documentadas pelo topónimo e pela prestação do sal”.

O primeiro documento escrito sobre esta localidade data da fundação do Consulado Portucalense. Remonta ao século XI mas somente se conhece cópia do século XII e é designada por Cepães localizando-se no arcediago de Neiva pagando «III módios de trifigo». Em 1108, um outro documento refere que existe um “casal in Gontemir et alter in Zopanes” e em 1134 “in Zopanes et in Gontimir habent iacentiam sub monte Goios territorio Bracarensi discurrentibus aquis ad mare et ad Cavadum”.

Mais tarde, em 1145 volta-se a referir a igreja de «Zopanes» e em 1174 é feita a doação ao arcebispo D. João Peculiar. Franquelim Neiva debruça-se sobre o seu orago – S. Miguel – e diz que no século XI já era este o orago desta freguesia.

Em 1220 S. Miguel de Cepães era da terra de Neiva e afirmava-se que aí o rei tinha uma terra reguenga e dava-lhe a terça e de oferta meio morabitino. Estas inquirições são muito ricas em informações sobre esta freguesia referindo-se com pormenor aos bens que aí tinham as várias Ordens e Conventos. Quando D. Afonso III mandou fazer novas inquirições, em 1258, esta terra era do julgado de Neiva e o rei não era padroeiro dando-lhe 136 maravedis “e agora tendo-se tirado 5 para a igreja dão os paroquianos anualmente 131 e 8 carneiros e uma galinha de cada fogo e 80 ovos; peitavam 8 calúnias sobreditas e iam ao castelo”. Estas inquirições são muito importantes para um melhor conhecimento da história económica de Marinhas e do próprio concelho de Esposende.

No reinado de D. Dinis e porque este tinha necessidade de saber quais eram os seus rendimentos mandou fazer novas inquirições no ano de 1290. Esta localidade vem referida como «Freguesia de San Miguel de Cepães».

No catálogo de todas as Igrejas, comendas e Mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarves pelos anos de 1320 e 1321, com a lotação de cada uma delas vem uma referência a S. Miguel de Cepães cujo rendimento foi calculado em duzentos e oitenta libras.

Neiva Soares a dado ponto do seu trabalho escreve: “No século XIV há preciosos documentos expressamente referentes a esta freguesia, alguns de altíssima importância por registarem já a denominação actual de Marinhas. O primeiro é de 1357 e refere uma composição que Bernardo do Moinho abade de S. Miguel das Marinhas, faz com o seu freguês Estêvão João, chamado Regado, almocreve, pela qual este se obrigou a pagar ao dito abade em cada ano seis soldos de dízimo por cada besta com que fizesse carreto. O abade tratou de garantir os direitos paroquiais sobretudo o dízimo, que se pagava por tudo: animais, searas, negócios, etc. E garantiu-o alcançando uma importância em dinheiro por cada besta com que trabalhasse”.

Em 1358 é quando é anexada a Marinhas a freguesia de Gandra e esse documento é muito importante para as duas freguesias. Nele se referem não só os aspectos económicos, mas também de âmbito social. Este processo de anexação é confirmado pelo Arcebispo D. Lourenço Vicente em 1374. Todo o século XIV, mais precisamente em 1402, Marinhas aparece com a designação de S. Miguel das Marinhas ou de Cepães. Segundo Franquelim Neiva Soares é a partir da segunda metade do século XV que fica oficialmente a designar-se por Marinhas. No tempo do Arcebispo D. Fernando da Guerra, no primeiro quartel do século XV, a Igreja de Marinhas desvincula-se da mesa arquiepiscopal e anexou-se ao Cabido de Braga e em Novembro de 1467 o mesmo Cabido vai arrendar os bens dela ao D. Pedro Afonso.

No Censual de D. Jorge da Costa, de 1493, “pagava esta igreja, que se situava inexplicavelmente na Terra do Mestre-escolado, tanto como as outras dessa zona…”.

Em 1537 esta freguesia foi anexada ao Mosteiro de S. João de Arga e em 1566 desanexou-se desta o lugar de Esposende que passou, por carta régia de 19 de Agosto de 1572, à categoria de vila.

Manuel Albino Penteado Neiva, Esposende Breve roteiro histórico, 1987, pág. 100-105.

MARINHAS

A freguesia é uma das 15 que constituem o concelho de Esposende, o único do distrito de Braga confinante com o Mar. Situada no litoral centro do concelho, tem como limites a Sul as freguesias de Esposende, Gandra e Palmeira de Faro; a Nascente Vila Chã e Palmeira de Faro, a Norte a freguesia de Mar e a Poente o Rio Cávado e o Oceano Atlântico.

Sendo a maior freguesia do concelho, com a sua vasta área territorial de 1172 ha, Marinhas é terra de muita gente, contando com cerca de 8000 habitantes, distribuídos pelos nove lugares: Rio de Moinhos, Abelheira, Monte, Igreja, Pinhote, Outeiro, Góios, Cepães e Rio.

Marinhas é atravessada pela Estrada Nacional 13, delimitada a sul pela Estrada Nacional 103-1 e tem o IC1 (A28) a pouca distância. Assim, fica perto de tudo: Póvoa de Varzim 20 km, Aeroporto Internacional 45 km, Porto 50 km, Viana do Castelo 25 km, Valença (fronteira de Tuy) 80 km, Barcelos 16 km e Braga 35 km.

Marinhas possui um historial rico em tradições e actividades artesanais: O trabalho da pedra tornou célebres os seus “lavristas”; enquanto a Abelheira se trornou o maior centro concelhio da moagem de farinha, nos seus notáveis moinhos alcantilados pela encosta do monte ou nas azenhas contíguas perfiladas pela ribeira do Peralta. A recolha do sargaço e a apanha de pilado (espécie de caranguejo muito abundante no passado) para a adubagem das suas terras férteis também marcaram a vida e o trabalho dos marinhenses. Por sua vez, as antigas extrações de sal, realizadas nas hoje desaparecidas salinas, conferiram vitalidade à fixação das populações e estiveram na origem do próprio nome da localidade: Marinhas.

Nos dias de hoje, Marinhas terra acolhedora e amiga recebe todos anos milhares de veraneantes nas suas belíssimas e despoluídas praias. São eles que divulgam bem longe os encantos desta terra.

Marinhas é banhada pelo rio Cávado e pelo Oceano Atlântico, acomodando no seu seio a foz deste belo rio que se transforma num dos mais belos postais do nosso querido Minho.

A freguesia está bem servida de transportes, a rede viária é boa, tem unidades hoteleiras, tem bons estabelecimentos de ensino, serviços de apoio às crianças e aos idosos, instalações desportivas, um rico património religioso e muitos locais para visitar.

Com uma forte vocação turística, Marinhas destaca-se também pela presença significativa de indústrias e pela relevância da atividade rural. Trata-se, assim, de uma freguesia de contrastes, onde a modernidade e a tradição convivem em harmonia, fazendo deste cantinho privilegiado pela natureza um local especialmente apetecível para viver..  

No Verão a população triplica, pois, são muitos que procuram as belas praias da freguesia: Suave Mar, Cepães e Rio de Moinhos, as duas primeiras concessionadas e anualmente com bandeira azul e as três galardoadas com bandeira de ouro, atribuída pela Quercus, devido à excelente qualidade da água.

Nem só no Verão a freguesia é procurada. Ao longo do ano são muitos que nos visitam: a nossa extensa ciclovia, os trilhos de montanha e as paisagens idílicas são muito procuradas para quem quer caminhar e andar de bicicleta num cenário natural de inigualável beleza.

Na rota dos Caminhos de Santiago somos visitados anualmente por milhares de peregrinos de todo o mundo, muitos dos quais pernoitam no Albergue São Miguel.

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